Enxaqueca e Santidade: o caso Santa Rosa de Lima
- Felipe Vigarinho

- 29 de ago. de 2025
- 3 min de leitura

A enxaqueca é uma das condições neurológicas mais comuns, afetando milhões de pessoas em todo o Mundo, e com grande impacto na qualidade de vida. É uma doença bem conhecida, mas o que pouca gente sabe é que a sua história não se limita apenas aos tempos modernos. Ela também tem raízes em relatos históricos, como o caso de Santa Rosa de Lima - uma santa peruana do século XVI, considerada uma das primeiras a relatar sintomas da doença.
Quem foi Santa Rosa de Lima?
Santa Rosa de Lima, nascida em 1586 com o nome Isabel Flores de Oliva, foi uma religiosa católica que, desde muito jovem, mostrou grande devoção espiritual e dedicação à vida monástica. Ela é a primeira santa canonizada da América Latina, conhecida principalmente por seu carisma, humildade e compromisso com a ajuda aos pobres e enfermos. Sua vida é marcada por extraordinários feitos de fé, mas também por grande sofrimento físico, o que nos leva a refletir sobre as possíveis causas de sua dor.
A Enxaqueca da Santa
Santa Rosa de Lima é muitas vezes associada às "dores de cabeça insuportáveis", que a acometiam com frequência. Embora na época não se tivesse conhecimento sólido sobre a condição neurológica que hoje identificamos como enxaqueca, muitos estudiosos sugerem que seus relatos de cefaleia, acompanhadas de outros sintomas (como náuseas e vômitos, incômodo com a luz e o barulho) correspondem muito provavelmente aos critérios diagnósticos da doença.
Essas dores, aliás, foram descritas como parte de um processo de purificação espiritual, algo que as pessoas da época, com a visão religiosa e mística, interpretavam como uma forma de sofrimento redentor. Para ela, suas dores de cabeça intensas poderiam ter um significado divino, relacionado à sua proximidade com Deus.
A Enxaqueca Hoje: Avanços e Conhecimento
Hoje, sabemos que a enxaqueca é uma condição neurovascular complexa, influenciada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Ela é caracterizada por episódios recorrentes de dor de cabeça intensa, geralmente pulsátil e unilateral (em um só lado da cabeça), acompanhados de outros sintomas como: náuseas/vômitos; sensibilidade à luz, ao som e/ou a cheiros; além até sintomas conhecidos como aura - visuais, sensitivos (dormência, formigamento) ou da fala, que tipicamente antecedem ou acompanham os episódios de dor.
A enxaqueca tem importantes fatores desencadeantes, como estresse, certos tipos de alimentos, mudanças hormonais, alterações no sono. Sua causa ainda não é completamente compreendida, mas sabe-se que envolve uma resposta anormal do cérebro a certos estímulos. Durante uma crise, há uma ativação de áreas cerebrais liberam substâncias químicas, como a serotonina, e que alteram a dilatação dos vasos sanguíneos - causando a dor pulsante característica da doença.
Embora a Medicina tenha avançado consideravelmente, proporcionando novas formas de tratamento e controle, a enxaqueca ainda é um desafio para muitos pacientes. Terapias medicamentosas (orais clássicas ou imunobiológicas), mudanças no estilo de vida e até procedimentos de intervenção, como a aplicação de toxina botulínica, têm mostrado resultados positivos no controle dessa condição.
O Que Podemos Aprender com a História de Santa Rosa?
A história de Santa Rosa de Lima, com suas visões de dor e sacrifício, traz à tona a longa relação entre o ser humano e suas condições de saúde. A enxaqueca, uma das mais antigas e persistentes condições médicas, já era um mistério mesmo no século XVI. Hoje, sabemos que ela é um distúrbio neurológico complexo, campo de muito aprendizado. E, à medida que os avanços da Neurologia continuam a iluminar os caminhos do tratamento, histórias como a de Santa Rosa de Lima nos ajudam a refletir sobre a experiência humana com a dor, a fé e a ciência.
Além disso, o fato de Santa Rosa ter vivido com essa dor constante nos lembra da importância de buscar compreensão e alívio para aqueles que sofrem de enxaqueca. A medicina moderna oferece diversas opções de tratamento, mas a busca por terpias mais eficazes e a conscientização sobre as necessidades dos pacientes ainda são questões em pauta. Santa Rosa de Lima, com sua força e resiliência, também pode nos ensinar sobre como lidar com a dor de forma corajosa, ao mesmo tempo em que reconhecemos o valor de uma abordagem científica para aliviar o sofrimento humano.
Se você sofre de enxaqueca, lembre-se de que a dor não precisa ser enfrentada sozinha. Há tratamentos eficazes e profissionais capacitados para ajudá-lo a entender e a controlar essa condição. Não hesite em procurar ajuda.





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