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D. Parkinson: muito além dos medicamentos


A Doença de Parkinson é uma condição neurológica relativamente frequente em pacientes idosos, caracterizada por uma tríade clássica de sintomas: tremor, rigidez articular e lentidão para os movimentos. O tremor é tipicamente pior ao repouso, e inicia em um membro, progredindo posteriormente para os outros. O paciente pode ter dificuldade para caminhar, e ter instabilidade do tronco, aumentando o risco de quedas. Diversos outros sintomas não-motores podem estar associados. Trata-se de uma doença progressiva (ou seja, os sintomas tendem a piorar aos poucos), e ainda não tem cura. A primeira linha terapêutica continua sendo a Levodopa, medicamento criado na década de 1960, e ainda o mais efetivo para controle dos sintomas.


O tratamento dessa condição pode ser complexo, e precisa ser adaptado às necessidades individuais de cada paciente. Muitos consideram importantes somente as terapias medicamentosas (que merecem um artigo dedicado), mas gostaria de trazer hoje uma visão adicional a esse cenário. Existem medidas não-farmacológicas para tratar Parkinson, que são tão importantes quanto os remédios, mas que costumam ser negligenciadas por médicos e pacientes. O objetivo delas é contribuir para maior independência, qualidade de vida e até mesmo melhora da resposta clínica aos fármacos. Nesse artigo, procuro abordar de maneira objetiva que outros caminhos se devem tomar para tratar Parkinson. Espero que seja proveitoso.



O que fazer:



1. Exercícios Físicos Regulares


Costumo dizer aos meus pacientes que o Parkinson AMA a pessoa sedentária. Tudo nessa doença leva o paciente a não querer se mexer: os movimentos são imprecisos e lentos, a rigidez dificulta muito, a marcha é instável... e quanto menos você estimula os membros, mais as limitações progridem. Portanto, se você tem Parkinson, tudo te levará à imobilidade, e é parte crucial do tratamento que você supere essas dificuldades.


A atividade física é, possivelmente, a intervenção não-medicamentosa mais estudada e com melhores resultados para a doença.


- Benefícios: melhora da marcha, equilíbrio, força muscular, flexibilidade e coordenação motora.


- Evidências científicas: importantes estudos mostraram que exercícios aeróbicos (como caminhada, bicicleta ergométrica e dança) podem aumentar a liberação cerebral de dopamina, e melhorar os sintomas da doença.


- O que praticar: caminhada ao menos 30min 3x/semana, pilates, yoga, tai chi chuan, hidroginástica e treino de resistência leve.



2. Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional


- Fisioterapia: foco em fortalecimento muscular e estabilidade de tronco, prevenindo quedas. Treino de postura e equilíbrio.


- Fonoterapia: importante para tratar dificuldades de fala e deglutição, comuns na evolução da doença. Técnicas de voz amplificada e exercícios de deglutição são frequentemente usados.


- Terapia Ocupacional: auxilia o paciente a adaptar atividades do dia a dia, promovendo autonomia e segurança, com uso de estratégias simples e dispositivos de auxílio.



3. Técnicas para estimulação Cognitiva


Muitos pacientes com Parkinson desenvolvem problemas de memória ao longo do tempo. Esses sintomas podem estar relacionados à própria doença, ou a alguma outra causa de Demência que tenha surgido paralelamente.


- O que fazer: exercícios de memória, leitura, jogos de raciocínio e programas de reabilitação cognitiva orientados. Manter relações sociais ativas, sair de casa, conversar com pessoas novas, ter atividades prazerosas e que geram propósito.



4. Nutrição Adequada


- Dieta rica em proteínas, junto da atividade física, é fundamental para reduzir a perda de massa muscular. Mas tem uma pegadinha: quem usa Levodopa não pode tomá-la junto da dieta, pois as proteínas podem comprometer a absorção do medicamento, reduzindo a sua eficácia.


- Hidratação e fibras: ajudam a prevenir constipação, muito comum em pacientes com Parkinson.


- Dieta equilibrada: alguns estudos apontam que alimentos ricos em antioxidantes (frutas, vegetais, azeite de oliva) podem contribuir para redução do estresse oxidativo cerebral (ainda não sabemos o quanto influencia na evolução da doença, mas não custa tentar).



5. Apoio Psicológico e Social


Depressão e ansiedade são frequentemente associadas à doença de Parkinson. Acompanhamento psicológico, grupos de apoio e participação ativa da família têm grande impacto positivo. O paciente deve ser estimulado a manter atividades sociais, evitando isolamento.


Práticas como meditação, respiração profunda e relaxamento guiado podem ajudar a reduzir sintomas de ansiedade, melhorar o sono e favorecer o bem-estar geral.

 
 
 

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