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Como lidar com a Fadiga na Esclerose Múltipla


Estima-se que até 80% das pessoas com Esclerose Múltipla (EM) apresentem algum grau de cansaço intenso ao longo da evolução da doença, e isso pode ocorrer por diversos motivos.


A fadiga é um dos sintomas mais comuns — e muitas vezes mais desafiadores — da EM. O seu manejo depende não só de medicamentos, mas principalmente de modificações no estilo de vida, que nem sempre são fáceis.


Apesar de frequente, esse sintoma é bastante subestimado por todos, já que não é visível como outros sinais neurológicos.




🧠 Por que a fadiga acontece na Esclerose Múltipla


A fadiga na EM não é “apenas cansaço”. Trata-se de uma sensação de esgotamento físico e/ou mental desproporcional à atividade realizada, que pode surgir mesmo após períodos curtos de esforço — ou até sem esforço algum. Há múltiplos mecanismos envolvidos:


  • Alterações diretas no sistema nervoso central: A EM provoca inflamação e desmielinização em áreas do cérebro e medula que participam do controle da atenção, da vigília e do gasto energético, tornando o sistema nervoso menos eficiente.

  • Maior esforço para realizar tarefas: Lesões desmielinizantes tornam a transmissão de sinais mais lenta. Assim, atividades que antes eram automáticas passam a exigir mais energia.

  • Fatores secundários: Distúrbios do sono, efeitos colaterais de medicamentos, dor, depressão e falta de condicionamento físico podem intensificar a fadiga.

  • Calor: Muitas pessoas com EM percebem piora dos sintomas (inclusive da fadiga) em ambientes quentes — fenômeno conhecido como sinal de Uhthoff.




🔍 Como a fadiga se manifesta


Os relatos variam bastante, mas alguns padrões são comuns:


  • Sensação súbita de “desligar” ou ficar “sem bateria” ao longo do dia

  • Dificuldade de concentração ou “mente nublada”

  • Sensação de fraqueza ou peso nos membros, mesmo sem perda real de força

  • Piora no desempenho físico e cognitivo com calor, esforço ou estresse

  • Necessidade de períodos de descanso mais frequentes

Importante: a fadiga não é proporcional à gravidade da doença — pacientes com pouca limitação motora podem apresentar fadiga intensa, e vice-versa.




🧭 Dicas práticas para aliviar a fadiga


Embora não exista “cura” para a fadiga, uma combinação de estratégias comportamentais costuma trazer bons resultados:


1. Planeje seu dia com prioridades

Organize as tarefas mais importantes para os momentos em que você costuma ter mais energia (por exemplo, pela manhã). Divida grandes tarefas em etapas menores, intercalando pausas programadas.


2. Respeite seus limites

Aprender a reconhecer sinais precoces de cansaço e parar antes de atingir o esgotamento completo ajuda a preservar energia para o restante do dia.


3. Controle o calor

Ambientes frescos, roupas leves, uso de ventilador/ar condicionado ou de coletes refrigerantes podem reduzir a fadiga relacionada ao calor. Evite banhos muito quentes.


4. Mantenha atividade física regular (com orientação)

Exercícios aeróbicos leves a moderados, fisioterapia ou hidroginástica podem melhorar a resistência ao longo do tempo, desde que adaptados à capacidade individual. O ideal é ter acompanhamento profissional.


5. Cuide da qualidade do sono

Tratar distúrbios do sono (como insônia, apneia ou pernas inquietas), manter horários regulares para dormir e evitar estimulantes à noite pode reduzir a fadiga diurna.


6. Avalie fatores emocionais

Ansiedade e depressão podem intensificar a sensação de fadiga. Psicoterapia e, quando necessário, tratamento medicamentoso são aliados importantes.


7. Consulte seu neurologista sobre tratamento farmacológico

Em alguns casos, podem ser considerados medicamentos específicos para fadiga (como amantadina ou modafinil), sempre sob prescrição e avaliação individual.



👉 Importante: anote os momentos do dia em que sente mais ou menos fadiga, quais atividades mais a desencadeiam e quais estratégias funcionam melhor. Isso ajuda o neurologista a adaptar o plano terapêutico de forma personalizada.

 
 
 

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